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A ELECTRA e a Qualidade de Água PDF Imprimir e-mail

A ELECTRA tem vindo a ser confrontada, desde algum tempo atrás, com reclamações de clientes que se queixam de receber, em suas casas, água com coloração avermelhada, reclamações essas sempre divulgadas e altamente empoladas pela Comunicação Social, principalmente na Praia.

Porque este é um assunto grave, que vem merecendo toda a atenção da Empresa, vimos pela presente, esclarecer a todos os consumidores e a opinião pública do seguinte:


1. A água produzida pela ELECTRA tem um teor de ferro de 0.0 mg/l e a que é colocada na rede de distribuição chega ao máximo de 0.2 mg/l de ferro. A cor avermelhada que se deve ao teor de ferro, é adquirida na rede de distribuição, pela acção da corrosão exercida sobre elementos ferrosos que eventualmente existam nas tubagens, seja na rede geral seja nas redes internas das casas dos consumidores. Esses elementos ferrosos podem ser válvulas, troços de tubagem em ferro galvanizado (ramais mais antigos), uniões, tês, e outros acessórios diversos.

 

2. O carácter corrosivo da água produzida por Osmose Inversa deriva da sua relativamente alta salinidade e ainda ao efeito da adição de cloro para desinfecção da água, que é feita nos reservatórios, antes da distribuição. Esses dois factores conferem á água uma característica agressiva em relação aos metais ferrosos, que é aumentada na presença do oxigénio, dando-se o fenómeno da corrosão, isto é, a formação de óxido férrico, vulgo ferrugem, que fica retido no interior das tubagens.

 

3. Sempre que a distribuição de água é feita de forma intermitente, isto é, sem que a rede esteja em carga permanente, as tubagens adutoras esvaziam-se e ficam em contacto com o ar, criando as condições óptimas para o fenómeno da corrosão, acima mencionado. O óxido de ferro ou ferrugem fica depositado no interior dos tubos e é arrastado pela água assim que houver nova distribuição, chegando às casas dos consumidores com o tom avermelhado e turvo já mencionado acima.

 

4. Na cidade da Praia, a tubagem de adução que liga o reservatório do Monte Babosa aos reservatórios de Eugénio Lima e de Ponta d’Água é de ferro fundido, o que origina uma quantidade razoável de óxido de ferro no interior da tubagem, uma vez que a distribuição é intermitente e essa tubagem é de grande dimensão, 400 mm de diâmetro nominal. Os reservatórios de Eugénio Lima e Ponta d’Água alimentam vários bairros populosos como Achadinha, Calabaceira, Ponta d’Água, Lem Ferreira, Castelão, Paiol, Vila Nova e Achada São Filipe. Duma maneira geral, a saída de água vermelha dura pouco tempo e ocorre logo quando se inicia a distribuição, por volta das cinco horas da manhã. Se o consumidor deixar a água correr por alguns instantes logo notará que ela começa a vir limpa.

 

5. Conclui-se que, neste momento, na cidade da Praia, existe uma secção da rede de distribuição de água onde se conjugam os três factores que propiciam a formação de óxido de ferro: a natureza corrosiva da água, a distribuição descontínua e a existência de um troço considerável da rede em ferro dúctil.

 

6. O ferro é um elemento essencial à vida, uma vez que faz parte da molécula da hemoglobina, de algumas proteínas essenciais à vida, e ainda por constituir um componente essencial de numerosos sistemas de oxidação biológica. Infelizmente, só é absorvido pelo organismo quando está dissolvido, na forma Fe 2+, também dito Fe ferroso, em contradição com o Fe 3+ ou Fe férrico, insolúvel. Na forma férrica o ferro não é assimilado pelo organismo humano. Nenhuma toxicidade conhecida foi observada no Homem, mesmo no caso de doses elevadas (5 mg/l).

 

7. Não obstante a existência de óxido de ferro na água não constituir um problema de saúde pública, tem alguns inconvenientes para o consumidor, dos quais se destacam os seguintes:

 a)    Sabor desagradável;

 b)    Coloração avermelhada e aspecto turvo;

 c)    Aparição de manchas na roupa;

 d)    Formação de depósitos que podem levar à diminuição progressiva do calibre das condutas;

 

8. Entendemos que população tem toda a razão em reclamar pela melhoria da qualidade da água distribuída. Esse problema, porém, só ficará definitivamente resolvido com a substituição de aproximadamente 7.5km de rede em ferro dúctil, entre Monte Babosa e Ponta d’Água, com um custo bastante elevado, da ordem dos 200.000 contos. A ELECTRA já encetou as negociações com o Governo/ Plano Sanitário da Praia para a substituição dessa tubagem, que levará ainda algum tempo a ser realizada.

 

9. Entretanto, com a extensão da capacidade de produção de água em mais 2x1200 m3 de água, até finais do corrente mês de Abril, e mais 5.000 m3 para princípios do próximo ano, a quantidade de água disponibilizada à distribuição será maior e a rede estará mais tempo em carga, diminuindo assim consideravelmente a possibilidade de formação de ferrugem nos tubos. Acreditamos por isso que, a partir do próximo mês a situação ficará bastante melhorada.

 

10. Paralelamente, a ELECTRA vem procedendo a limpezas programadas dos seus reservatórios, com o objectivo de remover quaisquer depósitos de ferrugem que possam estar acumulados no fundo. A ELECTRA apela aos seus clientes que promovam também limpezas frequentes dos seus depósitos e tanques de água, pois só assim poderão também ajudar a minimizar esse problema.

 

11. Por último, informamos a todos os nossos clientes e consumidores que a ELECTRA controla e garante a boa qualidade da água que coloca na rede, através de análises químicas e microbiológicas constantes, realizadas nos nossos laboratórios, na Praia e em São Vicente, e é com muita satisfação que podemos afirmar que a água distribuída está dentro dos parâmetros exigidos pela OMS.

 

ELECTRA, SARL
Mindelo, 20 de Abril de 2009


 

 
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